1.
nuvens
prendem a atenção pelo menos a metade do tempo durante a viagem. Mas ô viagenzinha... Foi mais uma fuga, um distanciamento para pensar melhor. às vezes interrompido por algum peixe ou pessoa encontrada nas silhuetas das nuvens... um monte de defeito destacado e o reconhecimento de que assim não dá para continuar. "...ou vc muda essas coisas.... ou desiste". Conselho de vó "tenho 73 anos e nem vi a vida passar. Aproveita que você é jovem" (fazia tempo que não levava a sério conselho de vó). Nostalgias também fizeram parte. E voltei. Comecei a mudar? Ainda não... e já senti novamente as consequências do meu teimosismo e comodismo. Não é uma promessa. Promessas nunca dão certo. Falo pelas minhas, pelas dos outros comigo e pela conversa que acabei de ter com um amigo no msn. Mas assim não dá mais para continuar...
2.
Limpar aquele armário quase que intocado é algo.... não diria mágico.. mas bom... resumidamente: bom!
Esse ano foi bizarro... Pessoas que numa certa época eram tão presentes para mim, revi... amigos do cursinho, colegial e ginásio. Essa semana mesmo estava indo para a faculdade, entro no vagão do metrô e paro justo do lado da menina que considerava minha melhor amiga na sexta série.
O mesmo ano não estava sendo fácil para mim. Questionei minha faculdade, desanimei em todos os sentidos com dias de tensa tristeza os quais olhava em volta e "E daí?!". Olhei em volta hoje, toda aquela papelada de cartas, agendas, objetos e desenhos se transfomaram em um quebra-cabeça montado do que eu já passei. É engraçado como fica um sentimento junto daqueles objetos. Joguei muita coisa fora... de pessoas que quero esquecer e dias que quero apagar...Joguei um ano inteiro fora ao enfiar no saco plástico a agenda mais sofrível da minha vida sentimental (que não foi lá aqueles traumas que merecem uma atenção especial, mas considerem o fato de que sou uma dramática). Tá lá no lixo. Não sei porque ainda as guardava muito bem. Mas agora deixei ficar SÓ as boas memórias... O legal é que o armário ainda está cheio. (PORÉM arrumado!).
3.
Na área de serviço do meu apartamento, o único lugar onde a luz natural se livra do insulfilm. De cinco janelas, só ela não tem. É uma pena... pois a janela da sala, por exemplo, é daquelas que vai do teto ao chão e pega a parede toda e se direciona ao leste, então tínhamos aquela luz do sol nascendo todas as manhãs. Ela era só um pouco bloqueada pelo outro prédio localizado a poucos metros. E foi justamente esse prédio que provocou a decisão dos meus pais de colocarem o insulfilm. Era um verdadeiro Big Brother aqui (como deve ser para os outros apartamentos também).
Até mesmo a janela da área de serviço dá de cara para a do vizinho da frente.
Voltando... eu estava sozinha em casa. Meio contrariada puxava bruscamente as roupas do varal... E foi um pontinho vermelho pequeno,mas destacado pelo verde da toalha de banho que mudou totalmente minha atitude apressada e intolerante para uma mais atenta e suave de tirar foto e com licença da joaninha, tirá-la da toalha e pousá-la na janela para continuar meu trabalho. Dessa vez de outra forma.
Ficou muito bonito essas cores juntas. Até comecei a usá-la mais nas minhas roupas depois.
4.
"você vai na festa da faculdade?"
"não..."
"porque?!!!"
"ah.... vou num show cover do Raul Seixas com meu pai..."
Estávamos num grupo de 16 pessoas... 16, das quais 10 eu conhecia... mas apenas 4 eu me sentia a vontade para interagir... são eles: meu pai, minha mãe, minha irmã mais velha e seu namorado.
O restante eram companheiros de conversas e cervejas do meu pai e seus respectivos parentes. E daquele mundaréu de gente, me jogaram para a ponta da mesa. O show atrasou uma hora que matei fazendo origamis com guardanapos e comendo salgadinhos. Mas quando o tal de Roberto Seixas começou a cantar, parecia o próprio Raulzito de tão parecida a voz.
Ele cantava as músicas que eu costumava cantarolar nas tardes dos finais de semana sentada no colo (ou do lado) do meu pai, quando criança. Era frequente esses dias... era uma tarde de Raul Seixas e Tim Maia...às vezes tinha Cazuza para fazer um agrado ao gosto de minha mãe. Conforme fui crescendo, passei a ter vergonha de cantar desafinado com ele e comecei a dar prioridades a outras coisas, ao invés de acompanhá-lo nas músicas que me doutrinou a gostar até hoje. E assim ele também foi parando com suas horas musicais. Hoje nem existe mais. No máximo um dvd ... Ele lá na sala e eu aqui no quarto.
Esses momentos revivi rápido enquanto o cover fazia sua performance fiel lá no palco.Eu sabia as letras. Estava com vontade de cantá-las alto... mas isolada na mesa não tava tendo graça. Mudei de lugar... sentei do lado do meu pai. Consegui mudar a tempo de curtir a música preferida dele. E quando eu quis que tocasse "Rock do Diabo", ele me emprestou a caneta e o guardanapo e pediu para seu amigo entregar. Foi a música que encerrou o show.
Na volta pro carro, entre uma conversa e outra, meu pai "mas então.,..gostou?" Sim, obrigada.